Abstract This article revisits the ethnography resulting from field research carried out in the city of Pelotas, in the south of Rio Grande do Sul, between 2006 and 2012. Its aim is to describe houses of religion, or terreiros, through the temporal experience involved in their creation processes and their territorial arrangements, which, on the one hand, are responsible for the connections between the interior and exterior of the houses and, on the other, for the composition of the intervals, with their respective degrees of proximity and distance, in the relationship with the different spiritual forces that dwell within them. If all houses depend on a relationship of continuity with some root, on the permanently renewed existence, through careful ritual practices, of their various links, this root is always planted in a heterogeneous way, making up the multiplicity that is recognized as significant in each of them.
Resumo Este artigo retoma a etnografia resultante da pesquisa de campo realizada na cidade de Pelotas, sul do Rio Grande do Sul, entre os anos de 2006 e 2012. O seu objetivo é descrever as casas de religião, ou os terreiros, pela experiência temporal implicada em seus processos de criação e pelos seus agenciamentos territoriais, os quais, por um lado, respondem pelas conexões entre o interior e o exterior das casas e, por outro, pela composição dos intervalos, com seus respectivos graus de proximidade e de distância, na relação com as diferentes forças espirituais que habitam dentro delas. Se todas as casas dependem da relação de continuidade com alguma raiz, da existência permanentemente renovada, por meio de cuidadosas práticas rituais, dos seus diversos vínculos, essa raiz está sempre plantada de modo heterogêneo, compondo com a multiplicidade que, em cada uma delas, é reconhecida como significativa.