Abstract: This paper discusses gender, sexuality and race through the analysis of Ann Walker, who is a character in the Tv show Gentleman Jack (2019). It aims to focus on the encounter and on the latent desire between Ann and the series’ protagonist to then explore the tensions and established pacts within the limits of femininity, heterossexuality and whiteness, through an elusive gaze to the paranoid reading. Therefore, desire emerges as a theoretical-analytical category by the writings of Deleuze and Guattari (1997; 1995) and Deleuze and Parnet (1998). Lugones’ theory (2014; 2007; 1994) on the coloniality of gender, purity and creativity also contributes to operating a racially aware analysis. Through her desire for the protagonist, Ann constitutes a pact with the demon, in Deleuzo-Gauttarian terms, which ambivalently culminates in the expropriation of herself and in the production of another self, elusive to the expectations of gender and sexuality, however sustained by the limits and possibilities of whiteness.
Resumo: Este artigo discute gênero, sexualidade e raça, com base na análise da personagem Ann Walker, do seriado Gentleman Jack (2019). Objetiva, a partir do encontro e do desejo latente entre Ann e a protagonista da série, operar sobre as tensões e pactos aí estabelecidos com os limites da feminilidade, da heterossexualidade e da branquitude, a partir de um olhar elisivo às “estratégias paranoicas” de que trata Sedgwick (2003). Consequentemente, desejo emerge como uma categoria teórico-analítica, a partir de Deleuze e Guattari (1995, 1997) e de Deleuze e Parnet (1998). No sentido de operar com uma discussão racialmente localizada, a teoria de Lugones (1994, 2007, 2014) sobre colonialidade de gênero, pureza e criatividade é acionada. O artigo, assim, foi organizado de modo a dar contorno ao que se nomeou aqui “pacto com a demônia”, nos termos deleuzo-guattarianos, e que posteriormente culmina na expropriação de si e, ambivalentemente, na produção de um outro si, refratário às expectativas de gênero e sexualidade, porém, sustentado pelos limites e possibilidades da branquitude.