Resumo A complexa interação entre parasitas gastrointestinais e hospedeiros ovinos envolve comunidades de bactérias, gêneros de parasitas, genes parasitários e vias biológicas. Haemonchus contortus representa um desafio global para ruminantes, e a comunidade bacteriana pode influenciar a resistência e a suscetibilidade a esses parasitas. Assim, uma melhor compreensão dessa complexa interação pode contribuir para o desenvolvimento de uma nova abordagem para o controle desse parasito. Este estudo avaliou a comunidade bacteriana em ovinos Corriedale, naturalmente infectados com H. contortus, classificados em baixas cargas parasitárias (LC), intermediárias (IC) ou altas (HC), ao longo de dez meses. Amostras de fezes foram coletadas mensalmente para a contagem de ovos (OPG), e o sequenciamento do gene 16S rRNA foi realizado em cinco animais de cada grupo. O OPG médio foi de 2.635 ± 105 para HC, 845 ± 129 para IC e 110 ± 70 para LC, com uma diferença significativa (p = 0,0001). Firmicutes, Proteobacteria e Spirochaetes foram mais abundantes no grupo HC. 102 gêneros bacterianos apresentaram diferenças significativas entre os grupos LC e HC. A Beta diversidade foi estatisticamente diferente (p<0,005) para HC em comparação com os outros dois grupos. Também encontraram-se comunidades diferentes entre LC e HC. Sediminispirochaeta, Oribacterium, Alloprevotella, Prevotellaceae_UCG-001, Prevotellaceae_UCG-003, Ruminiclostridium_6 e Ruminococcus_1 foram significativamente mais abundantes no grupo LC e IC. Acetobacter e Methanocorpusculum tiveram uma redução significativa no grupo LC. Gêneros bacterianos relacionados à baixa emissão de metano e melhor eficiência alimentar estavam significativamente presentes no grupo LC. Portanto, uma melhor compreensão do papel da interação hospedeiro-parasita pode contribuir para melhorar o controle de H. contortus.
Abstract A complex interaction of gastrointestinal parasites with sheep hosts may involve bacteria communities, parasite genera, parasitic genes, and biological pathways. Haemonchus contortus presents a global challenge for ruminants, and the bacterial community can influence sheep's resistance and susceptibility to these parasites. Thus, a better understanding of this complex interaction could contribute to the development of a new approach to parasite control. This study evaluated the bacterial community of Corriedale sheep naturally infected with H. contortus based on the fecal egg counts over ten months and then classified as having low (LC), intermediate (IC), or high (HC). Stool samples were collected monthly for egg counts (EPG), and 16S rRNA gene sequencing was performed on five animals from each group. The average EPG was 2,635 ± 105 for HC, 845 ± 129 for IC, and 110 ± 70 for LC, with a significant difference (p = 0.0001). Firmicutes, Proteobacteria, and Spirochaetes were more abundant in the HC group. 102 bacterial genera showed significant differences between the LC and HC groups. Beta diversity was statistically different (p<0.005) for HC compared with the other two groups; also, different communities were found between LC and HC. Sediminispirochaeta, Oribacterium, Alloprevotella, Prevotellaceae_UCG-001, Prevotellaceae_UCG-003, Ruminiclostridium_6 and Ruminococcus_1were significant more abundant in LC, and IC group. Acetobacter and Methanocorpusculum had a significant reduction in the LC group. Thus, bacterial genera related to low methane emission and food efficiency were significantly present in the LC group. Therefore, a better understanding of the role of host-bacterial community-parasite interaction could contribute to improving parasite control management.