O estudo teve como objetivo revisar as publicações científicas sobre os relatos de violência contra crianças e adolescentes no Brasil de 2018 a 2022. Isso foi realizado por meio de uma revisão sistemática da literatura que seguiu a diretriz PRISMA. A seleção abrangeu estudos quantitativos e qualitativos publicados em português, inglês e espanhol, provenientes de bases de dados como PubMed Central, LILACS e SciELO. Os estudos foram analisados por dois revisores trilíngues, de acordo com os critérios de elegibilidade. A qualidade dos estudos foi avaliada com base na Lista de Verificação para Estudos Transversais Analíticos do Instituto Joanna Briggs. Os 21 estudos elegíveis foram então analisados e os determinantes sociais da saúde listados foram agrupados em categorias para criar uma síntese narrativa sobre cada um. Essas categorias incluíram território, cor de pele/etnia, gênero, idade, tipo de violência, drogas, agressor e local do ocorrido. Os resultados mostram padrões preocupantes de desigualdades étnicas em relação à violência, indicando uma maior vulnerabilidade da população negra. As análises baseadas em gênero, idade e tipo de violência também destacam uma vulnerabilidade particular das meninas, especialmente em relação à violência sexual. Os agressores, principalmente identificados como pais e mães das vítimas, destacam a relevância do ambiente familiar como facilitador da ocorrência de atos violentos, evidenciando assim a necessidade de intervenções focadas nesse contexto. A subnotificação de casos indica a importância de aprimorar os mecanismos de denúncia e aumentar a conscientização comunitária para garantir que a realidade da violência contra crianças e adolescentes seja registrada de forma precisa.
Este estudio tuvo como objetivo revisar las publicaciones científicas sobre informes de violencia contra niños, niñas y adolescentes en Brasil de 2018 a 2022. Se realizó una revisión sistemática de la literatura con base en la directriz PRISMA. La selección incluyó estudios cuantitativos y cualitativos publicados en portugués, inglés y español, de bases de datos como PubMed Central, LILACS y SciELO. Los estudios fueron analizados por dos revisores trilingües según los criterios de elegibilidad. La calidad de los estudios se evaluó en función de la Lista de Verificación para Estudios Transversales Analíticos del Instituto Joanna Briggs. Luego, se analizaron los 21 estudios elegibles, y los determinantes sociales de la salud enumerados se agruparon en categorías para crear una síntesis narrativa sobre cada uno. Estas categorías incluyeron territorio, color de piel/etnia, género, edad, tipo de violencia, drogas, agresor y lugar de ocurrencia. Los resultados muestran patrones preocupantes de desigualdades étnicas en relación con la violencia, e indica una mayor vulnerabilidad de la población negra. Los análisis basados en el género, en la edad y en el tipo de violencia también destacan una vulnerabilidad particular de las niñas, especialmente en relación con la violencia sexual. Los agresores fueron, principalmente, padres y madres de las víctimas, lo que destaca la relevancia del entorno familiar como facilitador de la ocurrencia de hechos violentos, así se resalta la necesidad de intervenciones dirigidas a este contexto. El subregistro de casos muestra que es necesario mejorar los mecanismos de denuncia y aumentar la concienciación de la comunidad para que se registre, con precisión, la realidad de la violencia contra los niños, niñas y adolescentes.
This study aimed to review scientific publications on reports of violence against children and adolescents in Brazil from 2018 to 2022 based on a systematic literature review following the PRISMA guidelines. Selection encompassed quantitative and qualitative studies published in Portuguese, English, and Spanish from the PubMed Central, LILACS, and SciELO databases. Two trilingual reviewers analyzed the studies according to the eligibility criteria, and the quality of the studies was assessed using the Checklist for Analytical Cross-Sectional Studies by the Joanna Briggs Institute. The 21 eligible studies were then analyzed, and the social determinants of health listed were grouped into categories (territory, race/ethnicity, gender, age, type of violence, drugs, perpetrator, and where the act occurred) to create a narrative synthesis about each one. The results show worrisome patterns of ethnic-racial inequalities regarding violence, pointing towards a greater vulnerability of the black population. Analyses based on gender, age, and type of violence also reveal a particular vulnerability of girls, especially regarding sexual violence. The perpetrators were mainly identified as the victims’ fathers and mothers, highlighting the relevance of the family setting in enabling violent acts and showing the need for interventions focused on this context. The underreporting of cases indicates the importance of improving report mechanisms and raising community awareness to ensure that the reality of violence against children and adolescents is presented accurately.